Retalhos e Devaneios

Retalhos e Devaneios

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

hoje doeu, 
hoje doeu novamente, 
hoje doeu novamente e mais 
hoje doeu novamente e mais fundo,
hoje doeu novamente e mais fundo, ferimento 
hoje doeu novamente e mais fundo, ferimento âmago
hoje doeu novamente e mais fundo, ferimento âmago difícil 
hoje doeu novamente e mais fundo, ferimento âmago difícil de curar. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sou incapaz de estudar para fazer um concurso, 
não acostumo nunca a acordar cedo, 
sou incapaz de ficar numa fila sem surtar, 
não sei fazer baliza,
nunca terminei um curso de inglês, 
não sei beber sem ficar tonta e boba, 
não sei pegar o ônibus sem correr, 
nunca fui à depiladora, 
nunca organizo até o fim o que me proponho a organizar, 
jamais saí da primeira crise existencial, 
corro sempre atras do próprio rabo, 
estou sempre com vontade de chorar, mas não derramo um lágrima, 
estou sempre com sono, 
estou sempre com insônia, 
não consigo digitar uma linha sem errar, 
nunca saí dos dezessete anos de idade,
odeio o som do telefone tocando, 
tenho medo da solidão, 
sou autossuficiente, 
tenho medo de não ser amada, 
lamento eternamente as contradições, 
sou um desastre. 

O quarto

Chegando, tudo estava tão arrumado, 
tão organizado, 
parecia que nem mesmo estivera fora alguns dias, 
tudo exatamente como deixara, 
e isso, sem entender, a encheu 
de nostalgia e tristeza, 
percebendo que, assim como, 
a casa esperara intocável, 
lá também estavam,
seus problemas paralisados, 
a esperar por ela. 
O quarto em Arles, 1888 - Van Gogh

domingo, 27 de janeiro de 2013

Pensei: 
Quando a dúvida te corrói é porque na verdade, já não há dúvida. 

mas depois, fiquei na dúvida... 

sábado, 26 de janeiro de 2013

devaneio do andar...


" e de tanto caminhar, 
sem saber por onde andar, 
resolveu parar 
para um pouco descansar, 
e vendo o mar 
entendeu onde queria chegar..."



sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Conjugando.....

Vamos conjugar devaneio...
Eu devaneio,
Tu devaneias, 
Ele devaneia, 
Nós todos devaneamos? é isso? e muito. 
Vós devaneais? até vós pode viu?
Eles devaneiam. 

uhuuuul  férias é um tempo de devaneios mais ousados hahahaha







domingo, 13 de janeiro de 2013

Quando já se sabe o que se tem a fazer. 
Mas nada se faz, por medo de se desfazer. 
Um banho demorado, depois ela fica um tempo passando creme e observando-se no espelho. 
Escolhe o melhor vestido, o batom mais marcante, o brinco mais brilhante, o salto mais poderoso. 
Coloca o perfume mais delicioso. 
Sai, e vai para o velório mais triste. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Cadê a vontade de cantar?
Cadê a vontade de dormir?
Cadê a vontade de dançar?
Cadê a vontade de sair?
Cadê a vontade de criar?
Cadê a vontade de rir?
Cadê a vontade de brincar?
Cadê a vontade da vontade? 
dor... 
não sei quando eu abri a porta 
mas te peço que vá simbora...

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Devaneio.

Hoje choveu, choveu muito, começou de madrugada, fortes ventos, trovões, relâmpagos, vuuuum, não consegui dormir. Ao acordar continuava chovendo, e como choveu, o dia estava cinza, porque hoje muito choveu. Passei o dia a ouvir a chuva e ver em cinza, afinal hoje choveu, e como choveu! 
Mas realmente, sinceramente, hoje não choveu. 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

mais que um devaneio!



Sim era tudo preto e branco, preto no branco. 
É normal! Não há como ser de outra forma! Acostume-se! É assim com todos! Outro jeito é ainda pior! - diziam em todos as línguas, saiam de todas as bocas - aos sussurros e aos berros quando questionados. 
Mas na paisagem normal, da forma como tinha que ser, costumeira, como era para todos, do jeito que era, surge algo inacreditável. 
Colorido! Sim! Co-lo-ri-do! 
Inacreditável, o coração a bater, batia: I-na-cre-di-tá-vel. 
tum tum tum.....
Colorido! Sim! Co-lo-ri-do! e Lindo! e vivo! e cheio de surpresas! 
E aí vem com ele a tristeza!
Então não é normal? Então há outra forma? Como se acostumar agora? Não é assim com todos? Há muitas outras formas? - alguns diziam as sussurros, e quando não aguentaram mais, aos berros. 
E da tristeza veio a dúvida e da dúvida: O que será que vem dentro? 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Devaneios à Jade.


Enquanto eu corrigia os cadernos da minha turma de segundo ano, a menor aluna da turma aproximou-se, ficou um tempo me olhando até que disse: 
- Professora é fácil ter passarinhos na tua casa né?
- Passarinhos? Por que Jade? - o nome da pequena era Jade . 
- Porque tem comidinhas de passarinho no teu brinco, é só colocar na tua janela e eles vão aparecer. 
Hoje a Jade deve ter uns doze, treze anos, espero que tenha mantido aquele brilho no olho e a sensibilidade que tinha, esse brinco virou o meu preferido, o dia que não for mais usá-lo colocarei na janela a espera dos passarinhos. 

sábado, 5 de janeiro de 2013

Devaneios aos que fazem teatro.

Pensei ontem, há aqueles que pensam que o difícil no teatro é fingir com veracidade, enganam-se estes, o difícil no teatro é ser verdadeiro, é demonstrar com sinceridade o que se sente, deixar vir à luz as emoções. Difícil é ser sincero, afinal passamos a vida sendo obrigados a calar o que sentimos, a fingir  e fingir... aos que conseguem libertar-se e serem verdadeiramente a si mesmos, meus parabéns. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

devaneio de amanhã.

mas e depois de amanhã?
depois de amanhã...
já não sei. 
e amanhã?
já eu sei. 
Mas e depois de amanhã?
quem sabe?
e amanhã?
tu já o sabes.
mas e depois de amanhã?
que tudo acabe amanhã,
depois de amanhã não há porquê. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Não há razão, não há permissão, mas ela volta, volta devagar, dizem que do chão não se passa, talvez estejam certos, e hoje ao abrir os olhos, com a cabeça ainda doendo do sono forçado, dos sonhos da noite a luz lhe deu uma nova ideia: é necessário viver, estas viva ainda, do chão não passastes!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Perdida.


Lá estava ela jogada, caída, seca, perdida entre as rochas frias, imóveis e pesadas, a água longe corria, não tinha como a carregar, o sol escondia-se, ela quase sumia, mas estava ali. Não conseguia tornar-se invisível, não podia voltar para o galho, ah voltar a ter vida, se pudesse. Ficou ali, sem movimento, sem ação, só solidão, . Quem sabe um vento, uma brisa, levaria ela à terra, e tornando-se adubo haveria alguma serventia. Mas ventinho não veio, nem uma brisa, nem um suspiro e ela ali ficou.