Retalhos e Devaneios

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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Pertenço

Muitas e muitas vezes  ouço reclamações de amigos e familiares sobre a minha falta de tempo, a falta de tempo para dar-lhes a atenção que merecem, a minha falta de tempo para comigo mesma. Eu própria a questiono constantemente, as brigas interiores são intermináveis, me questiono por que, por que? Já reduzi escolas, reduzi horas, reduzi horários de estudos e continuo sempre sem tempo, cadernos, textos, trabalhos, vídeos, cursos, enfim...  De tanto questionar, cheguei a uma conclusão, não sou das pessoas que não consegue viver sem estar repleta de trabalho, eu hein, adoro férias, amo fim de semana, sou a favor dos direitos trabalhistas, de salários dignos, nada de exploração. Mas minha falta constante de tempo está muito atrelada a como vejo a Educação. Eu, mesmo depois de 12 anos em sala de aula, acredito na Educação, acredito na educação transformadora, acredito na justiça social, acredito na igualdade. Sim muitas vezes desanimo, quando estes sonhos me parecem ingênuos e impossíveis, mas no dia seguintes eles me parecem fortes, dignos, honestos e verdadeiros , por eles levanto da cama e sigo, sigo dedicando meu tempo. Acredito nas revoluções, admiro revolucionários, choro lendo sobre seus sonhos, mas eu mesma nunca peguei em armas, nunca participei de partido político, minha revolução é a sala de aula, minha revolução é a História, transmitida, ensinada, transformada, estudada, aprendida e criada nas escolas. Às vezes me sinto injustiçada, sozinha e desanimada, mas logo encontro outros tantos revolucionários da sala de aula, ex  colegas de Unisinos, ex colegas de Escolas, colegas atuais, e escolas que acreditam na mesma coisa. Não quero abdicar de minha vida pessoal, não é isso que estou querendo dizer, não devemos professores, fazer isso, não é nisso que acreditamos. A idéia é só lembrar que nossa luta é diária, nossas armas são os livros, nós estamos diariamente em guerra contra o inimigo da alienação, da apatia, nossa luta é muito difícil, é palmo a palmo. Mas nossa luta é legítima, é a mais linda do mundo, é a mais digna do mundo. Nós acreditamos numa educação, na educação da igualdade, na educação de qualidade, na educação que objetiva o coletivo. Nossa vida está ligada a isso, esse sonho nos deixa vivos, vivos e felizes. Eu ainda sonho, por isso ainda sou feliz.

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