Retalhos e Devaneios

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Aos Atores!

Hamlet (para um dos atores):




“Mas também nada de contenção exagerada, o teu discernimento deve te orientar. Ajusta o gesto à palavra, a palavra ao gesto, e cuide de não perder a simplicidade natural. Pois tudo o que é forçado deturpa o intuito da representação, cuja finalidade, em sua origem e agora, era, e é, exibir um espelho à natureza; mostrar à virtude sua própria expressão; ao ridículo sua própria imagem e a cada época e geração sua forma e efígie. Ora, se isso é exagerado, ou então mal concluído, por mais que faça rir ao ignorante só pode causar tédio ao exigente; cuja opinião deve pesar mais no teu conceito do que uma platéia inteira de patetas. Ah, eu tenho visto atores – e elogiados até! E muito elogiados! – que, pra não usar termos profanos, eu diria que não tem nem voz nem jeito de cristãos, ou de pagãos – sequer de homens! Berram, ou gaguejam de tal forma, que eu fico pensando se não foram feitos – e malfeitos! – por algum aprendiz da natureza, tão abominável é a maneira com que imitam a humanidade!”



William Shakespeare, Hamlet, tradução de Millôr Ferandes, 2ª Ed., Poa, L&PM, 1991, p. 95



Amooooooo Shakespeare!

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